Cedro Technologies
07 junho 2018 - 17:45 | Atualizado em 11 agosto 2026 - 16:51
No livro Os Meios de Comunicação Como Extensão do Homem, Marshall McLuhan explica que a tecnologia nada mais é do que a extensão do sistema nervoso cerebral humano. Do mesmo modo que nosso intelecto possui a capacidade de evoluir como resultado da síntese das experiências as quais nos submetemos, hoje, os softwares são capazes de seguir esse mesmo mecanismo.
O automóvel possibilitou ao homem maior mobilidade, ao passo que a computação cognitiva busca potencializar nossa capacidade intelectual.
Charles Babbage, criador do computador, substituiu com sua invenção, o ábaco, utilizado desde 2000 a.C., dando o pontapé inicial para a evolução dos computadores. O principal objetivo desse invento era efetuar cálculos em grande escala. Com o passar do tempo, a computação atinge um novo patamar, com a criação do primeiro computador digital eletrônico de grande escala: o ENIAC (Electrical Numerical Integrator and Calculator). A eletricidade possibilita um avanço sem precedentes, fazendo com que o ENIAC consiga processar até 5 mil vezes mais informação que seus antecessores.
Com a evolução dos sistemas de cálculos, chegamos à computação atual, em que máquinas programáveis são capazes de efetuar as mais diversas tarefas. É com a chegada da terceira era da computação, que computadores deixam de ser apenas produtos para se tornarem parte da experiência de vida dos usuários, dando início a era da computação cognitiva.
A computação cognitiva pode ser assim definida: capacidade de aprendizado de uma máquina, baseada na análise de experiências anteriores, possibilitando assim, a tomada de decisão pela máquina, de forma autônoma.
Onde podemos utilizar a computação cognitiva?
A computação cognitiva pode ser usada em qualquer atividade que contemple análise de dados para tomada de decisão. A principal vantagem em delegar esta atividade a uma máquina é a possibilidade de analisar um grande volume de informação e com maior precisão para a tomada de decisão.
Esses são alguns segmentos que já usufruem da computação cognitiva em suas operações:
A evolução que estamos presenciando no campo da computação, nada mais é do que a tentativa humana de recriar em uma máquina seu sistema neural. Em um curto espaço de tempo, saímos de máquinas primitivas de cálculos, para uma consciência eletrônica expandida, capaz de substituir o intelecto humano.
Hoje, o Big Data permite que todo o conteúdo público da internet seja analisado por redes neurais sofisticadas, se tornando assim um “inconsciente coletivo” eletrônico.
O armazenamento e disseminação de informação relevante, que na antiguidade era delegada aos mais velhos, passa a ser organizada em bancos de dados, transformando-os nos mentores intelectuais da modernidade.
Alguns teóricos preveem um mundo onde até mesmo a mão de obra intelectual humana será substituída pela Inteligência Artificial, entregando de vez nosso mundo às máquinas.
Não é difícil constatar que em breve nossos cérebros ficarão obsoletos. Por outro lado, em um futuro próximo, presenciaremos a quebra de um dos maiores paradigmas que nos norteia há séculos, a sociedade pautada pelo trabalho. Quando máquinas que antes nos serviam passam a nos influenciar, deixamos de ser protagonista para nos tornarmos coadjuvante. Imaginar o mundo sem a atual configuração de trabalho não deve nos angustiar, mas nos instigar. A partir do momento que pudermos delegar às máquinas as tarefas mais complexas e o trabalho não for pelo menos em parte, nossa responsabilidade, poderemos encontrar uma outra função nessa nova sociedade.